João Barata, Presidente Núcleo de Estudantes de Ciências Farmacêuticas da Universidade Beira Interior

A Universidade da Beira Interior iniciou o curso de Ciências Farmacêuticas em 2006 e desde esse ano, integraram o mercado de trabalho apenas 60 jovens farmacêuticos. 

As dificuldades que têm encontrado na procura de emprego constituem um mau presságio para o futuro da nossa profissão. Enquanto Núcleo de Estudantes, não podemos permitir que a situação actual se prolongue.

O farmacêutico usufrui de uma posição única e privilegiada no contacto com o utente. Tal confere-lhe maior relevância na promoção e educação para a saúde comparativamente a outros profissionais, proporcionando ainda o primeiro nível de contacto com o individuo, a família e a comunidade, e desta forma inicia o processo permanente de assistência de saúde. 

O problema surge a partir do ano de 2005, ano em que o governo vigente decide promulgar o diploma que liberaliza a venda de medicamentos não sujeitos a receita médica, sustentado na questão da acessibilidade ao medicamento. Colocando esta visão na Beira Interior, em nada veio resolver o problema da acessibilidade sendo que o utente continua a apoiar-se na farmácia que lhe transmite a confiança e a qualidade que este deseja.

De seguida surgiu a liberalização da propriedade da farmácia que coloca em causa a independência técnico-científica dos farmacêuticos, e que foi responsável por abrir uma especulação imobiliária gigantesca em torno de uma entidade de saúde que é vital para todos nós. Depois, surgiram as baixas sucessivas dos preços dos medicamentos, as margens de lucro desceram cada vez mais e desta forma atinge-se o degradar total de um sector que anteriormente correspondia às expectativas da sua população.

As Farmácias Portuguesas sempre foram um sector respeitado pela sociedade nacional, prestando um serviço de qualidade e de confiança ao seu utente. Hoje, isso começa a tornar-se praticamente impossível devido a uma política do medicamento totalmente ruinosa. Chegou a hora de perguntar a quem interessa a destruição deste sector e quem beneficia com o colapso das farmácias. 

Como estudante digo que basta desta asfixia, pelo futuro de todos nós. 

João Barata

Presidente Núcleo de Estudantes de Ciências Farmacêuticas da Universidade Beira Interior

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